segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Península Gulag

“Temos um sistema de escravatura mesmo debaixo do nosso nariz (…) Os grupos de defesa dos direitos humanos não conseguem pará-lo. A Coreia do Sul não consegue Pará-lo. Os EUA vão ter que colocar este assunto na mesa das negociações.”
Quem o diz é An Myeong Chul, um ex-guarda de um campo de trabalhos forçados da Coreia do Norte que desertou para o Sul.
Os “Gulag”, termo utilizado durante a era soviética para os campos de trabalho forçado na Sibéria, são uma realidade, nunca assumida, na Coreia do Norte. O regime do “Querido Líder”, Kim Jong il, chama-lhe campos de reeducação, negando e desmentindo os relatos dos sobreviventes sobre as atrocidades lá cometidas.
Alguns relatos de ex-prisioneiros e ex-guardas são chocantes. Quando alguém tenta fugir é organizada uma parada, onde estão presentes todos os presos maiores de 16 anos para assistir á execução dos fugitivos. Medida de “educação” dizem os ex-guardas.
É perigoso falar em números concretos, mas algumas ONG’s falam em cerca de 200 mil prisioneiros nestes campos. A esperança média de vida rondará os 30\35 anos, e raramente algum prisioneiro ultrapassará os 50 anos. A alimentação é feita á base de milho e sal, logo, a maior parte das complicações de saúde advêm da desnutrição.
Uma recente reportagem no “Público” expõe aquilo que é o escândalo da questão.
O Mundo esqueceu-se da Coreia do Norte.
Você já tinha ouvido falar destes campos de trabalhos forçados? Provavelmente não.
Suzan Scholte, uma activista americana, põe o dedo na ferida.
“Os tibetanos têm o Dalai Lama e o Richard Gere, os birmaneses têm a Aung San Suu Kyi, no darfur têm a Mia Farrow e o George Clooney (…) os norte-coreanos não têm ninguém assim.”
A verdade é que um regime louco e imprevisível como o norte-coreano é difícil de entender, quanto mais de enfrentar.
Relatos de negociadores americanos, aquando das negociações para a desnuclearização da península da Coreia, dizem que cada vez que á mesa das negociações se falava em direitos humanos os norte-coreanos “ficavam loucos”.
A questão é: Como é possível???
Como é possível o mundo fechar os olhos a tamanha barbárie e negociar com tal regime?
Como é possível que os EUA, guardiões da democracia e direitos humanos, se sentem á mesa para negociar e “esqueçam” estes “Gulag”?
É possível porque a diplomacia assim o exige, e porque é com paciência e insistência que os resultados aparecem.
A verdadeira questão é :
Até quando vai o mundo ser diplomático com uma Coreia do Norte que mata os seus de trabalho e de fome, ao mesmo tempo que gasta fortunas em tecnologia nuclear e militar???
Mais cedo ou mais tarde vai ser preciso dizer “BASTA!”.
Resta-nos esperar que seja mais cedo do que tarde.

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